Vestígios, digitais e laudos: mulheres representam cerca de 40% do efetivo da Polícia Científica de MS
08/03/2026
(Foto: Reprodução) Na Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, mulheres participam de diferentes etapas da produção de provas periciais. Elas atuam desde o atendimento em locais de crime até análises em laboratório, exames médico-legais e identificação por impressões digitais. Atualmente, representam cerca de 40% do efetivo da instituição.
Antes de um exame médico ou da confirmação de uma identidade, o trabalho técnico começa no local da ocorrência. É nesse momento que vestígios são identificados, registrados e preservados para ajudar nas investigações e orientar os exames feitos depois.
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Vestígios e dinâmica do crime
Perita criminal Karla Gonçalves da Cruz.
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A perita criminal Karla Gonçalves da Cruz ingressou na instituição em 2014 e hoje trabalha no Núcleo de Perícias Externas, no setor de Crimes Contra a Vida, em Campo Grande. Segundo ela, a primeira preocupação da equipe ao chegar ao local é garantir a preservação da área.
“Minha primeira preocupação é identificar a área onde se encontram os vestígios e verificar se essa região está devidamente isolada e preservada. Isso é fundamental para garantir que os elementos presentes no local sejam mantidos íntegros.”
Com mais de 11 anos de atuação, Karla já trabalhou no Núcleo Regional de Criminalística de Corumbá e no Departamento de Apoio às Unidades Regionais antes de integrar a equipe responsável pelos atendimentos na capital.
Ela explica que o trabalho exige atenção a todos os elementos da cena, porque nem sempre é possível saber, naquele momento, quais serão relevantes para a investigação.
“Em muitos casos há grande quantidade de elementos no local e naquele momento ainda não é possível identificar completamente o que é relevante. Por isso é essencial realizar um levantamento detalhado e minucioso.”
Parte do material coletado segue depois para análises especializadas em áreas como DNA, documentoscopia e balística. Esses exames são feitos em laboratórios da Polícia Científica por peritos criminais.
Exames médico-legais
Na medicina legal, os exames ajudam a esclarecer circunstâncias de diferentes ocorrências.
A perita médica-legista Taís Cristina Zottis Barsaglini atua há três anos no Instituto de Medicina e Odontologia Legal e na Casa da Mulher Brasileira. Segundo ela, os exames médico-legais são fundamentais para produzir provas técnicas.
“O exame médico-legal traz clareza e materialidade sobre os fatos. Ele pode documentar casos de violência física, sexual ou ainda esclarecer a causa de óbitos violentos, como acidentes de trânsito ou homicídios.”
Perita médica-legista Taís Cristina Zottis Barsaglini.
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As conclusões são registradas em laudos técnicos elaborados a partir de evidências científicas.
“Um laudo tecnicamente fundamentado reúne todas as conclusões com base em evidências e respeitando o passo a passo pericial para que seja confiável.”
Mesmo diante de situações difíceis, Taís afirma que o foco permanece no rigor técnico.
“Quando comecei a trabalhar nessa área percebi que é impossível não se sentir incomodada com algumas situações de violência e vulnerabilidade humana. Mas tento me manter focada nas evidências e nos fatos concretos.”
Digitais que revelam identidades
A papiloscopia também faz parte da produção de provas. A perita papiloscopista Juliana Cardozo da Silva entrou na instituição em 2015 e já atuou em plantões de local de crime em Dourados e em Campo Grande.
Ela explica que o trabalho vai além da emissão de documentos de identidade.
“Ele garante a existência civil da pessoa, assegura direitos e a situa perante a sociedade. É por meio dele que alguém passa a ter nome, registro, acesso a serviços e reconhecimento legal.”
Perita papiloscopista Juliana Cardozo da Silva.
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No contexto criminal, a atividade também inclui o levantamento de impressões digitais em locais de crime. Esse trabalho pode ajudar na identificação de pessoas envolvidas nas ocorrências.
“Confirmar uma identidade pode inocentar alguém, esclarecer um crime ou permitir que uma família encerre um ciclo de dor. Por trás de cada impressão digital existe uma história.”
Segundo Juliana, a análise exige atenção a detalhes muito pequenos.
“Muitas vezes trabalhamos com fragmentos muito pequenos de impressões digitais que precisam ser comparados com precisão. Observamos linhas, pontos característicos e pequenas bifurcações que são únicas em cada pessoa. É um trabalho que não permite pressa.”
Assim como em outras perícias, os vestígios coletados podem gerar novos exames em núcleos especializados de identificação.
Bastidores dos exames necroscópicos
Agente de Polícia Científica Romilda Fleitas.
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Parte do trabalho acontece nos bastidores. A agente de Polícia Científica Romilda Fleitas atua há dez anos nos exames necroscópicos e acompanha diferentes etapas do procedimento.
“Quando o corpo chega aqui, a gente faz toda a recepção, confere a requisição, a cadeia de custódia e verifica se houve atendimento anterior em unidade de saúde ou pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Depois auxiliamos o médico-legista durante o exame e também ficamos responsáveis pela liberação do corpo para a funerária, sempre com autorização da família.”
Segundo ela, a rotina também envolve contato com familiares em momentos delicados.
“Às vezes a família chega aqui em uma situação muito difícil e precisa entender que alguns exames são necessários. É um trabalho que exige responsabilidade e respeito com cada caso que chega até nós.”
Romilda afirma que cada função dentro do instituto é importante para o resultado final do trabalho.
“Eu me vejo como uma peça dentro de uma engrenagem. Cada um faz a sua parte para que tudo funcione.”
Do levantamento de vestígios no local de crime às análises laboratoriais, passando pela identificação e pelos exames médico-legais, essas profissionais participam de diferentes etapas da atividade pericial. O trabalho contribui para esclarecer fatos e produzir provas usadas pela Justiça.
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