Rio cheio e sem visibilidade dificulta buscas por homem que afundou com caminhonete ao confundir rampa com estrada
04/11/2026
(Foto: Reprodução) Caminhonete cai em rio de MS e mulher é encontrada morta; motorista está desaparecido
As condições do Rio Ivinhema dificultam as buscas pelo corpo de João Luiz dos Santos, de 56 anos, conforme informou o sargento Da Silva, do Corpo de Bombeiros de Ivinhema, nesta quarta-feira (4). João Luiz caiu com a caminhonete em que estava com a esposa, Estela Tomazetto, de 48 anos, em uma rampa de acesso ao rio, entre Angélica e Nova Andradina (MS), no domingo (1º).
O corpo de Estela foi localizado dentro do veículo. Conforme o Corpo de Bombeiros, o nível do rio está três metros acima do normal em razão das chuvas na região. A água está turva e a correnteza, forte. O leito também apresenta pedras de diferentes tamanhos e bancos de areia ao longo do curso.
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Equipes de mergulho do Corpo de Bombeiros de Campo Grande estão no local para auxiliar nas buscas. A caminhonete foi localizada a 6,5 metros de profundidade e a 40 metros do ponto onde afundou.
Os bombeiros também estão mobilizando uma lancha, com maior potência, para ampliar as buscas na superfície e percorrer uma área mais distante do local onde o casal caiu no rio.
Estepe foi encontrado a 40 quilômetros do local do acidente
O estepe da caminhonete, que aparece atrás do veículo no vídeo, foi encontrado por um pescador na manhã de segunda-feira (2), abaixo de uma ponte entre Ivinhema e Nova Andradina. O objeto estava a cerca de 40 quilômetros rio abaixo do ponto onde a caminhonete afundou.
O sargento explicou que, quando uma pessoa se afoga, o corpo inicialmente afunda e pode ser arrastado pela correnteza ao longo do leito do rio. No caso de Ivinhema, as pedras podem fazer com que o corpo role e bata no fundo. Com o início da formação de gases, ele tende a subir e pode chegar à superfície.
Segundo o militar, essa movimentação dificulta o trabalho das equipes, pois o corpo pode se prender a obstáculos no fundo do rio ou ser levado pela correnteza. Além disso, a visibilidade é muito reduzida, o que impede os mergulhadores de enxergar a mais de 30 centímetros de distância.
O nível elevado da água também pode fazer com que o corpo demore mais para chegar à superfície e seja encontrado longe do local do acidente.
"A gente está trabalhando com a hipótese de ele ter se afogado. Estamos no terceiro dia e a água não está fria, então a expectativa de que o corpo chegue mais rápido na superfície é grande", explica.
Casal confundiu estrada e afundou caminhonete em MS
g1
Polícia considera que entrada no rio foi acidental
A Polícia Civil considera que a entrada da caminhonete no rio foi acidental. A análise técnica das câmeras de segurança reforçou essa hipótese, segundo a corporação.
Conforme o delegado Gustavo Oliveira, responsável pela investigação, não há indícios de feminicídio ou suicídio. A principal hipótese é que o casal tenha entrado por engano em uma área de acesso ao rio, sem conhecer as características do local.
A polícia também apura relatos de que os dois teriam passado o dia consumindo bebidas alcoólicas. Segundo o delegado, essa circunstância, somada a outros fatores, pode ter prejudicado a percepção dos ocupantes.
Outro fator que pode ter contribuído para o acidente é o alagamento de vários trechos das estradas próximas. Em alguns pontos, a água chegava à altura das rodas de veículos altos, como caminhonetes. A avaliação da polícia é que o casal pode ter confundido a rampa de acesso ao rio com mais um trecho de estrada coberto pela água.
O casal é do Paraná e trabalhava em uma fazenda na região. Segundo o delegado, o casal não morava no condomínio fechado onde ocorreu o acidente, nem estava hospedado ou alugava algum imóvel na região. Por isso, a entrada no local teria acontecido por engano.
Imagens mostram tentativa de voltar
Caminhonete afundou em rio de Mato Grosso do Sul.
Câmeras de segurança/Reprodução
De acordo com o delegado, as imagens mostram que, cerca de quatro segundos após a caminhonete entrar na água, o motorista acionou o freio e engatou a marcha à ré. A mudança pode ser identificada pelas luzes traseiras do veículo.
Para a polícia, o movimento indica que o motorista percebeu o erro e tentou retornar, mas não conseguiu evitar que a caminhonete afundasse.
A análise das imagens também mostra que Estela estava sentada no banco do veículo e segurava a alça de segurança, normalmente usada pelos passageiros para se apoiar durante a passagem por obstáculos.
Segundo o delegado, não há sinais de que ela estivesse sendo segurada por outra pessoa, em meio a uma discussão ou sendo forçada a permanecer no veículo. Os gritos de socorro ouvidos nas imagens teriam começado somente depois que a caminhonete entrou na água e começou a afundar.
Porta abriu no fundo do rio
Outro ponto analisado pela polícia foi a dificuldade de os ocupantes deixarem a caminhonete antes que ela afundasse.
Segundo o delegado, a rampa estava mais alagada do que o habitual, o que dificultava a identificação do declive acentuado. Além disso, cerca de quatro segundos após a entrada na água, o rio já havia invadido a cabine e coberto a porta.
Com a pressão da água, abrir as portas de um veículo submerso se torna muito difícil. A polícia também destaca que o local atinge cerca de seis metros de profundidade nos primeiros metros após a rampa.
A perícia das imagens não identificou nenhum momento em que os ocupantes tenham conseguido sair da caminhonete.
A porta teria se aberto somente depois que o veículo já estava no fundo do rio. A suspeita é de que a pressão da água tenha provocado a abertura e lançado uma das vítimas para fora.
A força da correnteza também deslocou a caminhonete por aproximadamente 40 metros pelo fundo do rio.
Polícia não encontrou indícios de morte intencional
O delegado afirmou que a investigação não encontrou histórico de violência entre o casal nem outros elementos que indiquem uma morte intencional.
Segundo ele, a hipótese investigada é de um acidente provocado por um erro de percepção sobre as condições do acesso ao rio.
As equipes do Corpo de Bombeiros continuam as buscas por João Luiz. A investigação segue para esclarecer as circunstâncias do acidente.
Casal confundiu rampa de acesso ao rio com estrada alagada, diz polícia
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