'Rainha do Cerrado': estudo impulsiona produção de fruta rica em vitamina C e fortalece preservação do bioma em MS
23/01/2026
(Foto: Reprodução) Símbolo do cerrado sul-mato-grossense, a guavira é uma estratégia de preservação ambiental
Um estudo realizado ao longo de 17 anos em Mato Grosso do Sul tem ajudado a mudar a forma como a guavira é produzida no Estado. A pesquisa, coordenada pela Agência de Desenvolvimento Rural (Agraer), busca ampliar a produção de mudas, organizar o cultivo da fruta nativa e reduzir a pressão sobre áreas naturais do Cerrado.
A guavira, também chamada de gabiroba em outras regiões do país, é conhecida pelo valor nutricional. De acordo com a pesquisadora da Agraer, Ana Ajala, a fruta apresenta índices acima de culturas mais comuns.
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“A guavira tem grau Brix maior até mesmo que o da uva, o que indica alto nível de doçura. Além disso, possui mais vitamina C do que a laranja”, explica.
Com o avanço da pecuária e das lavouras de soja e milho, áreas naturais do Cerrado foram reduzidas, o que impactou diretamente a ocorrência da espécie. Diante desse cenário, a Agraer iniciou, em 2007, estudos voltados à reprodução da planta, à produção de mudas e à criação de modelos de cultivo que possam ser adotados por produtores rurais.
“A gente trabalha produzindo mudas de guavira e ensinando produtores e comunidades tradicionais a fazerem suas próprias mudas. Esse é o principal resultado do nosso trabalho. Se queremos preservar a guavira, precisamos produzir mudas”, afirma Ana.
Produção de mudas é base do projeto
A propagação da espécie é o foco principal da pesquisa. A equipe da Agraer desenvolveu métodos simples para facilitar a produção em viveiros rurais e comunitários.
A agroflorestora Elida Aivi, moradora da Serra da Bodoquena (MS), é uma das responsáveis pelos trabalhos de difusão da cultura.
“Aqui eu trabalho com várias sementes, várias plantas do cerrado, em especial a guavira. E além de ser a guavira muito especial, eu trabalho com a maioria das minhas plantas do viveiro, com frutas, porque eu vejo que tá faltando muita fruta para nossos animais.”
O processo começa com a retirada da polpa da fruta e a separação das sementes. Em seguida, as sementes são plantadas em recipientes com mistura de terra e areia. Duas sementes são colocadas em cada recipiente para aumentar as chances de germinação. As mudas permanecem no viveiro até atingirem o tamanho ideal para o plantio em campo.
Segundo os pesquisadores, as plantas podem levar até três anos para começar a produzir frutos. Mesmo assim, apresentam boa adaptação quando cultivadas junto a outras espécies nativas e culturas agrícolas, em sistemas agroflorestais.
Incentivo ao cultivo organizado
Com os resultados do estudo, a Agraer passou a incentivar o cultivo planejado da guavira como alternativa à coleta em áreas nativas. A proposta é incluir a fruta em projetos de restauração ambiental e em propriedades rurais interessadas em diversificar a produção.
“A ideia é levar esse conhecimento para diferentes regiões do Estado. Não podemos continuar apenas coletando a guavira nativa. Se isso acabar, não teremos mais alternativa”, alerta a pesquisadora.
O projeto também busca estruturar uma cadeia produtiva para ampliar o uso da fruta na alimentação, em pequenos empreendimentos e em atividades ligadas ao turismo rural.
Pesquisa conecta preservação e geração de renda
O trabalho desenvolvido pela Agraer também tem impacto social e ambiental. Ao estimular o cultivo da guavira, a pesquisa contribui para a conservação da espécie e cria novas possibilidades de renda para produtores.
“A partir do momento em que as pessoas veem casos de sucesso com a guavira, percebem que é um fruto local, de fácil cultivo e com grande potencial. Isso estimula novos produtores a aderirem”, destaca Ana.
Com a continuidade dos estudos e a ampliação das parcerias, a expectativa é fortalecer o cultivo da guavira em Mato Grosso do Sul e garantir a preservação da espécie no Cerrado.
Guavira é fruto símbolo de Mato Grosso do Sul.
Domingos Lacerda/TV Morena
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