O que liga o chefe do PCC condenado a 126 anos a desembargador punido pelo CNJ

  • 13/02/2026
(Foto: Reprodução)
Um dos maiores traficantes do Brasil, Gerson Palermo quebra tornozeleira eletrônica e foge Gerson Palermo, condenado a 126 anos de prisão é apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), está na lista dos mais procurados pelo Sistema Único de Segurança Pública. O criminoso cumpria pena no presídio de segurança máxima de Campo Grande por tráfico internacional de drogas e pelo sequestro de um avião em 2000. Palermo foi solto durante a pandemia de covid, em 2020, por decisão judicial, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Qual a ligação do traficante com desembargador? A prisão domiciliar concedida para Palermo foi autorizada pelo desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), Divoncir Schreiner Maran. A justificativa apresentada pelo magistrado argumentava problemas de saúde de Gerson Palermo. Contudo, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), verificou que não havia laudo médico que comprovasse a condição alegada. O caso foi analisado em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Segundo o relator, o conselheiro João Paulo Schoucair, a decisão ultrapassou os limites da independência judicial. O CNJ também apontou irregularidades na tramitação do habeas corpus. Segundo Schoucair, há indícios de que o conteúdo do pedido já era conhecido antes da distribuição oficial do processo. Ele afirmou ainda que o fluxo interno do gabinete foi alterado. Para o conselheiro, a decisão já estaria direcionada antes mesmo de o caso ser formalmente encaminhado ao magistrado. Outro ponto citado foi o tempo de análise. O habeas corpus, com cerca de 208 páginas, foi decidido em aproximadamente 40 minutos. LEIA TAMBÉM De narcotraficante a chefe paramilitar: MS tem 7 criminosos entre os mais procurados do Brasil Para o relator, o prazo demonstra falta de cautela. “Trata-se de decisão flagrantemente inadequada, configurando grave violação aos deveres funcionais”, afirmou. Durante o julgamento, também foram citados indícios de que servidores teriam assinado decisões em nome do desembargador. A prática pode configurar delegação irregular da função. Além disso, investigações da Polícia Federal (PF) apontaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada do magistrado. Ao concluir o voto, o relator afirmou que os fatos demonstram violação aos deveres de imparcialidade, prudência e decoro da magistratura. Com isso, o CNJ puniu o desembargador com aposentadoria compulsória. A decisão foi unânime e ocorreu na última terça-feira (10). Quem é Gerson Palermo Gerson Palermo foi condenado a 126 anos de cadeia. Redes sociais/Reprodução O nome de Palermo aparece em investigações de grande impacto contra o crime organizado. Ele foi apontado como chefe do PCC, facção criminosa com atuação dentro e fora dos presídios. Sua trajetória criminal reúne dois episódios de grande repercussão: o sequestro de um avião comercial e o comando de um esquema internacional de tráfico de drogas. O sequestro do Boeing e a primeira grande condenação Em agosto de 2000, Palermo participou do sequestro de um Boeing 727 da empresa Vasp. O avião decolou do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba. Cerca de 20 minutos depois, foi tomado pelo grupo criminoso. A aeronave foi obrigada a pousar em Porecatu, no Paraná. No local, a quadrilha roubou nove malotes do Banco do Brasil com cerca de R$ 5,5 milhões. Pelo crime, Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão. Prisão e investigação por tráfico internacional Anos depois, ele voltou ao centro de outra grande investigação. Em março de 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In para desmontar um esquema de tráfico internacional de drogas. Palermo foi apontado como um dos chefes da organização. Segundo as investigações, a cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá (MS). Depois, era transportada em caminhões para outros estados do país. A operação ocorreu em seis estados e apreendeu 810 quilos de cocaína. Pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, ele foi condenado a mais 59 anos de prisão. Somadas, as penas chegam a quase 126 anos. Após as condenações, Palermo foi preso e encaminhado ao presídio federal de segurança máxima de Campo Grande, onde cumpria pena em regime fechado. Divoncir Maran concedeu liberdade a Gerson Palermo durante plantão do feriado de Tiradentes, em 2020. Reprodução Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/02/13/a-ligacao-entre-o-chefe-do-pcc-condenado-a-126-anos-e-o-desembargador-punido-pelo-cnj.ghtml


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