Menino de 9 anos morre após idas e vindas à UPA depois de ferir joelho em brincadeira em MS

  • 07/04/2026
(Foto: Reprodução)
Menino de 9 anos morre após buscar atendimento médico pela 7ª vez João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, morreu após passar por atendimentos em unidades de saúde e apresentar piora no quadro clínico, em Campo Grande, na madrugada desta terça-feira (7). A família registrou boletim de ocorrência por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento do Centro. Segundo o boletim de ocorrência registrado pelos pais do menino, João Guilherme bateu o joelho ao sofrer uma queda enquanto brincava em casa no dia 2 de abril. Após o acidente, ele foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tiradentes, onde passou por consulta, realizou exames e foi liberado com receita de dipirona e ibuprofeno, sem indicação de lesão aparente na perna esquerda. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp O g1 entrou em contato com a secretaria municipal de Saúde (Sesau) para entender sobre os repetidos atendimentos de João Guilherme nas UPAs, que informou que o caso está sendo investigado com base em levantamentos de prontuários e registros médicos. Confira no fim da reportagem a nota na íntegra. A Santa Casa também foi procurada, mas não deu retorno até a última atualização desta reportagem. LEIA TAMBÉM Menino de 9 anos morre após buscar atendimento médico pela 7ª vez 'Trincou o joelho e morreu': família denuncia negligência após morte de menino de 9 anos Sucessivas idas ao médico Menino de 9 anos morre após sucessivas idas à UPA. Arquivo pessoal/Reprodução Uma sequência de atendimentos médicos marcou os últimos dias de vida da criança em Campo Grande. Veja abaixo, em ordem cronológica, como foram as idas às unidades de saúde, conforme informado pelos familiares à polícia: Quarta-feira (2 de abril) - Após cair e bater o joelho enquanto brincava, o menino foi levado à UPA Tiradentes. No local, passou por consulta e realizou exame de raio-X. Sem lesões aparentes, foi liberada com prescrição de dipirona e ibuprofeno; Quinta-feira (3 de abril) - Como o quadro não apresentou melhora, a criança foi levada ao IPA Universitário. Após nova avaliação médica, recebeu a mesma medicação e foi novamente liberada; Sexta-feira (4 de abril) - A família procurou atendimento na UPA Universitário. A criança foi medicada com uma injeção e se queixava de dores no peito. Segundo relato, a situação foi tratada como ansiedade, e o menino foi liberado; Domingo (5 de abril), à tarde - A criança retornou à UPA Universitário, onde permaneceu em observação. Um novo exame de raio-X identificou uma lesão na perna, na região do joelho. A orientação foi procurar a Santa Casa no dia seguinte para imobilização; Segunda-feira (6 de abril) - Já na Santa Casa, a criança teve a perna esquerda imobilizada com uma tala e foi liberada; Noite de segunda-feira (6 de abril), à noite - Em casa, a criança passou mal, desmaiou e chegou a ficar com coloração roxa. Ela foi levada desacordada à UPA Universitário, onde foi reanimada e entubada; Morte na madrugada da terça-feira (7) - Em seguida, foi transferida para a Santa Casa, mas não resistiu. O óbito foi confirmado às 1h05. Piora no quadro De acordo com o cunhado da vítima, Michael Petrovich de Souza, o menino passou a apresentar dores no peito e piora progressiva nos dia seguinte. "Ele sentia muita dor no peito. Ele sempre falando que estava com dor no peito. Ele foi agravando, foi piorando", relatou. Ainda segundo o familiar, na noite de segunda-feira (6), o estado de saúde se agravou rapidamente. "Quando eu entrei dentro do quarto, ele estava roxo num tom de branco e ele sem ar. Ele estava praticamente partindo em cima da cama", contou. O menino foi levado às pressas para a UPA Universitário, onde recebeu atendimento inicial e foi encaminhado para a Santa Casa. "Chegando na Santa Casa, foi questão de meia hora... e já veio a notícia que ele tinha falecido", disse o cunhado. Investigação O boletim de ocorrência foi registrado como homicídio culposo. A Polícia Civil (PCMS) solicitou exame necroscópico para apurar a causa da morte. Conforme a PCMS, o caso deve ser encaminhado para Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), onde deve ser investigado. A especializada deve analisar a sequência de atendimentos médicos realizados nas unidades de saúde e verificar se houve falha ou negligência no atendimento prestado ao menino. Nota de pesar O menino era assistido pela Fundação Ueze Zahran, que divulgou nota lamentando a morte do estudante. Em nota, a fundação afirmou que João Guilherme era lembrado pela alegria e sensibilidade, além do amor pela música, e manifestou solidariedade à família e aos amigos. Veja a nota da Sesau na íntegra: "A Secretaria Municipal de Saúde informa que o caso está sendo investigado, esclarece ainda que as informações estão sendo devidamente apuradas, com base em levantamentos de prontuários e registros médicos. Ressalta também que todas as responsabilidades serão rigorosamente verificadas e, caso sejam identificados eventuais desvios de conduta, as medidas cabíveis serão adotadas." Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/04/07/menino-de-9-anos-morre-apos-idas-e-vindas-a-upa-depois-de-ferir-joelho-em-brincadeira-em-ms.ghtml


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