Escolhas que doem: as histórias das mães que conciliam o perigo da farda com o desafio de criar os filhos em MS

  • 10/05/2026
(Foto: Reprodução)
À esquerda, a tenente-coronel Helena de Barros e os filhos Maria Luiza e Enzo Gabriel, e à direita, a delegada Ana Cláudia Medina e os filhos, Piettro e Robertto. Arquivo pessoal Seja no quartel, no gabinete, em um incêndio ou em uma operação policial, mães que atuam na linha de frente da segurança pública convivem com duas responsabilidades ao mesmo tempo: proteger a sociedade e cuidar dos filhos. Em Campo Grande, histórias como as da tenente-coronel Helena de Barros, do Corpo de Bombeiros Militar, e da delegada Ana Cláudia Medina, titular do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) da Polícia Civil, mostram como a maternidade mudou a forma de lidar com a profissão e os desafios da rotina. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Neste Dia das Mães, o g1 conta a história dessas mulheres que tentam equilibrar os desafios da carreira com a criação dos filhos. 'Minha filha me ensinou a ser mãe' Aos 48 anos, a tenente-coronel Helena carrega no currículo a experiência de quem dedica a vida ao serviço e, dentro de casa, aprendeu a ser mãe antes mesmo de gerar um filho. Quando se casou com Artêmison Barros, o marido já tinha uma filha: Maria Luiza, hoje com 20 anos. Mesmo a menina morando com a mãe biológica, foi o amor que aproximou as duas e fez nascer ali uma maternidade que não depende de sangue. “Para ser mãe do filho que nasceu da minha barriga, eu já fui preparada pela minha filha, que é minha filha de coração”, conta. A experiência de ser mãe de Maria Luiza abriu caminho para a chegada do segundo filho, Enzo Gabriel, hoje com 12 anos. “Ela me ensinou a ser mãe. Quando foi em 2013, eu tive meu filho da barriga. Então eu tenho essa experiência de ser mãe de um casal”. Para Helena, a maternidade mudou tudo. Não só dentro de casa, mas também no trabalho. Segundo ela, após se tornar mãe, até as ocorrências passaram a ter outro peso. “Antes de ser mãe, eu tinha um olhar para o mundo. Após ser mãe, meu olhar mudou completamente. Não tem como ser igual”, afirma. A tenente-coronel diz que cada atendimento carrega uma lembrança inevitável: por trás de cada vítima, existe uma família. “A gente ganha uma nova lente para o mundo. Você passa a querer proteger o mundo de outra forma, porque imagina que poderia ser com seu filho”, relata. Na linha de frente, os bombeiros militares fazem um juramento: agir mesmo com risco da própria vida. Mas, para Helena, a maternidade trouxe uma força extra. “Quando você tem um filho, parece que você vai com muito mais força para finalizar aquela ocorrência com êxito, para sair viva daquilo ali. Porque você ainda tem que voltar para casa e tem alguém te esperando”, afirma. Segundo ela, é como se a coragem ganhasse um motivo ainda maior. “É uma força maior que a maternidade dá para a gente dentro da nossa carreira”, completa. Entre a escola e o serviço, escolhas que doem Helena conta que nem sempre consegue conciliar todos os compromissos da profissão com a rotina dos filhos. “Muitas vezes a gente tem que escolher. Uma reunião da escola ou uma reunião importante no serviço. Você não queria ir, mas tem que ir. É nosso dever”, diz. A ausência, segundo ela, é um preço silencioso pago por quem vive em missão constante. Orgulho dentro de casa Com o tempo, os filhos passaram a compreender melhor a rotina da mãe. Enzo Gabriel já convidou a mãe para palestrar na escola. Maria Luiza, que cursa psicologia, também começou a acompanhar algumas atividades da mãe. Em uma dessas ocasiões, as duas dividiram o mesmo palco. “Depois ela me disse: ‘Hoje foi o dia mais importante da minha vida’. Ela estava vivenciando tudo junto comigo. Eu achei bem gratificante”, conta Helena. Ao resumir o que é ser mãe, Helena escolhe uma definição que mistura ternura e liberdade. “Mãe é ter um pedacinho seu voando no mundo e você querer cuidar, sem prender. O amor mais lindo é aquele que você ama sem aprisionar”, diz. ‘Dois corações fora do peito’, diz delegada Na Polícia Civil, a rotina também é marcada por pressão, longas jornadas, e muitas vezes, ausência física. Delegada há 26 anos, Ana Cláudia Medina comanda uma das unidades mais sensíveis do estado: o Dracco, responsável por investigações de corrupção e crime organizado. Mãe de dois filhos — Robertto, hoje com 21 anos, e Piettro, de 13 —, ela conta que as crianças cresceram imersas na rotina policial, já que tanto ela quanto o esposo, Roberto, seguem a carreira na polícia. “São todos filhos de polícia ainda, do pai e da mãe polícia”, resume. Ana Cláudia descreve a própria rotina como frenética. Viagens e operações fazem parte da rotina, o que exige apoio constante para cuidar dos filhos. Mesmo assim, ela busca manter a presença de outras formas. “Eu não consigo tanto quantidade, mas eu prezo pela qualidade. Muita conversa, transparência, liberdade para falar com eles e explicar o motivo da missão”, diz. A delegada afirma que, mesmo durante operações, tenta separar alguns minutos para falar com os filhos. Um dos momentos mais delicados, segundo Ana Cláudia, é quando investigados tentam ultrapassar limites e ameaçar ou atingir a família. Ela conta que já viveu situações em que criminosos tentaram usar os filhos como forma de intimidação. “Eu já sofri muito com isso. Tentaram ultrapassar para me inibir, para embaraçar a investigação, para tentar me parar, atingir minha família e principalmente meus filhos”, afirma. Segundo Ana Cláudia, medidas de segurança foram adotadas após os episódios. “Covarde existe para tudo. E não foi diferente nessa situação”, completa. A dor de não estar em momentos simples Mesmo acostumada à rotina da profissão, Ana Cláudia diz que algumas situações continuam marcadas na memória. Ela lembra do dia em que precisou cumprir um plantão noturno enquanto Robertto era levado ao hospital após um acidente doméstico. “Eu não consegui acompanhá-lo. Isso me marca eternamente. Tive que explicar que eu não poderia estar ali num momento tão difícil”, conta. Outra lembrança envolve uma apresentação escolar de Dia das Mães de Piettro, enquanto ela participava de uma operação. “Ele me ligou de vídeo para mostrar. Aquilo me marcou. Era importante para ele e eu não consegui estar fisicamente ali”, relata. Missão de vida Ana Cláudia afirma que a profissão exige lidar com os problemas de outras pessoas mesmo quando ainda há questões pessoais para resolver. “Eu saio de casa para resolver problemas de pessoas que eu não conheço, porque essa é a minha missão, esse é o meu juramento”, afirma. E reforça: o trabalho não pesa como arrependimento, mas como responsabilidade. “Eu sou muito feliz. Mas não quer dizer que não existam desafios”, diz. ‘Tudo por eles e para eles’ Para a delegada, a maternidade mudou sua forma de agir dentro e fora do trabalho. “Eu tenho dois corações fora do peito. Tudo hoje gira em torno da família, dos meus filhos. Isso me fortaleceu”, afirma. Ela diz que os filhos ajudam a manter o equilíbrio nos momentos difíceis. “Tudo por eles e para eles. Minha dedicação não seria outra se não fosse por eles”, garante. Mães que protegem todos, sem deixar de ser mães A tenente-coronel Helena e a delegada Ana Cláudia representam mulheres que vivem entre dois mundos: o da missão pública e o da vida particular. Elas sabem que nem sempre vão conseguir estar presentes em todas as reuniões, apresentações e pequenos momentos do dia a dia. Mas também sabem que cada vida salva, cada crime combatido e cada ocorrência atendida carrega um propósito maior: construir uma sociedade mais segura para os próprios filhos e para os filhos de todas as outras mães. Porque, para elas, ser mãe é lutar pelo mundo lá fora sem esquecer que, dentro de casa, existe alguém esperando. E, no fim do dia, é essa espera que dá sentido à coragem. g1 em 1 minuto Mato Grosso do Sul: projeção de vendas para o dia das mães Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/05/10/escolhas-que-doem-as-historias-das-maes-que-conciliam-o-perigo-da-farda-com-o-desafio-de-criar-os-filhos-em-ms.ghtml


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