Consórcio Guaicurus acumula mais de R$ 20 milhões em dívidas em Campo Grande, revela intervenção
06/07/2026
(Foto: Reprodução) Transporte coletivo em Campo Grande.
Prefeitura de Campo Grande/Divulgação
A junta interventora do transporte coletivo de Campo Grande informou que o Consórcio Guaicurus acumula mais de R$ 20 milhões em dívidas. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (6), durante reunião sobre a intervenção no sistema.
Segundo o levantamento preliminar, os débitos incluem empréstimos bancários, atrasos com fornecedores, financiamentos e impostos trabalhistas. Diante da situação financeira, vereadores já defendem o fim do contrato entre o município e o consórcio. Em nota, o consórcio informou que opera em desequilíbrio econômico-financeiro. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem.
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Conforme a junta interventora, a dívida total do Consórcio Guaicurus chega a R$ 20,4 milhões. A maior parte da dívida é com bancos. Veja o detalhamento das dívidas abaixo:
Dívida com bancos em R$ 14,8 milhões;
Dívida de R$ 4,2 milhões a fornecedores de combustível e peças;
Há R$ 825 mil em parcelas de veículos atrasadas;
R$ 553 mil de débitos em impostos trabalhistas, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
O advogado e interventor Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira afirmou que os atrasos tributários não são recentes.
“A gente já constatou que desde 2014 já tinha atraso de tributos. Então já é um indicativo, você tinha dois anos de contrato e já estava atrasando. Mas ainda é muito preliminar, a gente tem que fazer realmente todo esse histórico, levantar tudo certinho. Parece que o descumprimento já tem bastante tempo”.
Segundo o interventor, o levantamento inicial também identificou problemas operacionais e frota envelhecida. "A gente fez um levantamento muito superficial até agora, até pelo tempo, mas a gente já tem alguns problemas".
➡️A junta interventora informou que deve divulgar mais dois balanços parciais sobre a situação do Consórcio Guaicurus nos próximos 90 dias.
➡️➡️O relatório final da intervenção está previsto para dezembro, prazo em que termina a intervenção da prefeitura no sistema de transporte coletivo.
Vereadores consideram encerramento de contrato
Com o avanço das apurações, vereadores já consideram a possibilidade de o relatório final recomendar o encerramento do contrato com o Consórcio Guaicurus.
O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto, conhecido como Papy (PSDB), afirmou que a relação entre o município e o consórcio está desgastada.
“A empresa contratada precisa servir ao município e ao usuário e não ao contrário, então hoje essa relação ela está completamente ruída. Eu penso que a intervenção vai ir para um caminho de caducidade”.
A situação da frota também preocupa. Segundo os dados apresentados na reunião, mais de 190 ônibus circulam com mais de dez anos de uso, limite máximo permitido em contrato. Vereadores afirmaram que o cenário aponta falhas na fiscalização das agências reguladoras do município.
Veja a nota na íntegra:
"O Consórcio Guaicurus acompanhou a apresentação da equipe de intervenção à Câmara Municipal de Campo Grande nesta segunda-feira. O relatório confirma o que o Consórcio já expôs exaustivamente à Prefeitura: o contrato opera em desequilíbrio econômico-financeiro. O relato atesta que, apesar disso, não há sucateamento do sistema e que a prestação do serviço público não corria risco de ser interrompida, o que demonstra que o Consórcio sempre atuou com responsabilidade e diligência no uso dos escassos recursos existentes para a operação do sistema. Apesar das dificuldades, o Consórcio manteve as condições de segurança dos ônibus, atestadas por laudos emitidos por empresa credenciada pelo Inmetro e pelo Detran-MS. Os atrasos no pagamento de fornecedores, as dívidas com instituições financeiras e a dificuldade do Consórcio em realizar a manutenção preventiva da frota decorrem exclusivamente do descumprimento das cláusulas contratuais por parte da Prefeitura de Campo Grande. O contrato em vigor prevê que sejam realizadas revisões econômicas a cada sete anos, mas elas não foram feitas em 2019, tampouco em 2026. Essa situação compromete a estrutura financeira da concessão e obrigou o Consórcio a fazer ajustes para manter o sistema em funcionamento – o que incluiu aportes financeiros não obrigatórios dos acionistas das empresas que o compõem. A Prefeitura também inadimpliu com a obrigação de construção de 58 quilômetros de corredores e de quatro terminais, projeto que constava do edital da licitação, mas jamais saiu do papel. Sem essa modernização, a velocidade média do sistema permaneceu baixa (cerca de 17 km/h), o que degrada a qualidade da prestação do serviço público, afasta os usuários e eleva os custos operacionais da concessionária. Além disso, a pandemia de Covid-19 reduziu significativamente a demanda pelo transporte durante dois anos, cenário agravado pelo aumento da concorrência de modais alternativos de mobilidade urbana (patinetes elétricos, bicicletas, aplicativos), o que também reduziu o volume de passageiros. Todas as capitais do país viveram a mesma situação, mas em todas elas o contrato foi cumprido e a equação econômico-financeira foi reequilibrada. É a ausência desse reequilíbrio que levou à situação constatada pelos interventores. O Consórcio está à disposição de todos e confia em uma solução capaz de proporcionar a prestação do serviço público que a sociedade campo-grandense merece."
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