CNJ aponta indícios de pagamento em gado a desembargador suspeito de vender sentença e soltar chefe do PCC

  • 19/02/2026
(Foto: Reprodução)
CNJ pede explicações para desembargador que soltou Palermo O relatório do Processo Disciplinar Administrativo (PAD) que analisou a conduta do desembargador aposentado compulsoriamente Divoncir Schreiner Maran ao soltar Gerson Palermo aponta para suspeita de que o magistrado atuou vendendo a sentença. O g1 teve acesso ao documento que analisa informações da polícia judiciária e do Coaf sobre movimentações financeiras de Maran. Conforme o relatório, a suposta venda da decisão judicial que soltou o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) ocorreu a partir negociações envolvendo gado, conduzidas pelo filho mais velho do magistrado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A Justiça chegou a essa conclusão após analisar movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelo filho do desembargador, que é advogado. Os documentos revelam que ele recebia menos de R$ 8 mil mensais, mas chegou a movimentar R$ 500 mil por ano, "associado com operações com gado". Para a Justiça, o pagamento por meio de transferência de gado é "prática comum de lavagem de dinheiro, especialmente em Mato Grosso do Sul". Assim, o CNJ entendeu que, para não se comprometer com ‘dinheiro ilícito’, Divoncir “utilizaria seu filho como operador de maneira a vender esse gado e ‘limpar’ o dinheiro para a família Maran”, conforme cita o documento. O g1 não encontrou a defesa de Divoncir Maran. "O contexto investigativo explanado não deixa dúvidas de que existem elementos concretos e provenientes de variadas fontes de que o Desembargador Divoncir utiliza o cargo para o cometimento dos crimes apurados", destacou o documento que o g1 teve acesso. LEIA TAMBÉM ENTENDA - A ligação entre o chefe do PCC condenado a 126 anos e o desembargador punido pelo CNJ QUEM É ELE? De sequestro de avião a chefe do PCC: quem é Gerson Palermo, condenado a 126 anos e hoje foragido VIU ISSO? Os prints que revelam ‘gambiarra’ de desembargador para soltar chefe do PCC Punição ao desembargador O Conselho Nacional de Justiça puniu o desembargador Divoncir Schreiner Maran com aposentadoria compulsória após concluir que a decisão que concedeu prisão domiciliar a Palermo extrapolou os limites da atuação judicial. Segundo o relator do Processo Administrativo Disciplinar, conselheiro João Paulo Schoucair, a concessão do benefício ocorreu sem comprovação médica e violou deveres da magistratura. O CNJ também apontou que investigações da Polícia Federal identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada do magistrado. Ao final do julgamento, o relator afirmou que os fatos analisados demonstram violação aos deveres de imparcialidade, prudência e decoro exigidos de integrantes do Judiciário. A fuga de Palermo Divoncir Maran concedeu liberdade a Gerson Palermo durante plantão do feriado de Tiradentes, em 2020. Reprodução Palermo foi condenado a 126 anos de prisão por tráfico de drogas, associação para o tráfico e pelo sequestro de um avião da Vasp em 2000. Ele cumpria pena no presídio de segurança máxima, em Campo Grande, quando teve prisão domiciliar concedida por Divoncir Maran. O pedido para que o traficante fosse colocado em prisão domiciliar partiu da defesa, que alegou problemas de saúde e riscos a Palermo, já que o período era de pandemia de covid-19. Após ser solto, Gerson Palermo retirou a tornozeleira eletrônica e fugiu. Quase seis anos depois, o criminoso ainda não teve o paradeiro identificado. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/02/19/cnj-aponta-indicios-de-pagamento-em-gado-a-desembargador-suspeito-de-vender-sentenca-e-soltar-chefe-do-pcc.ghtml


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