Advogado é preso por suspeita de atrapalhar investigação que apura tráfico envolvendo delegado e policiais
29/09/2026
(Foto: Reprodução) PIX, blindagem e sistemas de inteligência: como policiais suspeitos estruturaram desvio de
O g1 confirmou que o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), prendeu temporariamente nesta terça-feira (29), o advogado Amilton Ferreira de Almeida, por suspeita de ter repassado informações sigilosas na operação que prendeu delegado e policiais suspeitos de envolvimento com tráfico de cocaína.
A prisão do advogado faz parte a segunda fase da Operação Infiltrados, batizada de "Obstructio". A ação desta terça-feira também cumpriu dois mandados de busca e apreensão. O g1 não localizou a defesa dele.
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De acordo com o Gaeco, as evidências reunidas até o momento apontam que a comunicação antecipada da operação teria criado obstáculos à atuação dos investigadores. O nome da nova fase, "Obstructio", faz referência justamente à ideia de obstrução ou criação de barreiras para impedir o avanço de uma investigação.
Por se tratar de um advogado, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanharam o cumprimento das diligências.
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Desvio de cocaína
A Operação Infiltrados investiga uma organização criminosa suspeita de desviar cocaína apreendida por forças de segurança e revendê-la a traficantes. Conforme as apurações do Gaeco, policiais civis, militares e um policial penal integrariam o esquema, que também contaria com a participação de traficantes e intermediários.
Relatório do Ministério Público, divulgado na semana passada, aponta que integrantes do grupo teriam utilizado a estrutura da segurança pública para rastrear carregamentos de drogas, realizar apreensões e, posteriormente, repassar parte dos entorpecentes para comercialização ilegal. A investigação também identificou movimentações financeiras, negociações envolvendo cocaína apreendida e o uso indevido de sistemas restritos de inteligência para consultas em benefício do grupo criminoso.
Na primeira fase da operação, o Gaeco pediu a prisão de dezenas de investigados, entre eles policiais e um delegado suspeitos de participação no esquema. O Ministério Público sustenta que agentes públicos que deveriam combater o tráfico teriam atuado como fornecedores de drogas para organizações criminosas.
Agora, com a Operação Obstructio, os investigadores buscam esclarecer quem teve acesso antecipado às medidas judiciais e de que forma as informações sigilosas teriam sido utilizadas para embaraçar a apuração do caso.
O que diz a OAB
"A respeito da segunda fase da Operação Infiltrados, deflagrada na manhã desta terça-feira (29) pelo Gaeco envolvendo um Advogado, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul, informa que a Comissão de Defesa e Assistência das prerrogativas dos advogados se fez presente acompanhando as diligências, informando ainda que adotará as medidas legais cabíveis, inclusive de natureza disciplinar, respeitando sempre o direito à ampla defesa e contraditório".
Policiais investigados pelo Gaeco
Reprodução/Redes sociais
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